A nossa lenda do Pé do Diabo ou da Pedra do Diabo – de que Adelpho Monjardim registra uma versão em Vitória física (1950) – pode ser assim resumida: em Inhanguetá (ou Nhanguetá, nome que, só por si, já faz lembrar o Diabo) viveu outrora um homem muito rico, avarento e mau que, para aumentar suas propriedades, ia se apossando, deslealmente, das terras alheias. Talvez por castigo do céu, terrível praga lhe foi assolando e destruindo a fazenda, e ele começou a empobrecer. Foi quando o Diabo lhe apareceu e com ele firmou um pacto terrível: à meia-noite de uma sexta-feira pré-fixada o homem lhe entregaria o próprio filho. Isto se daria em local próximo à fazenda e, em troca, o Diabo lhe aumentaria as posses e a fortuna. A mulher do fazendeiro teve conhecimento do ajuste e, devota de Santo Antônio, a este pediu, em orações, salvasse o filho. Na meia-noite do dia aprazado, o homem levou o filho ao lugar que ajustara – uma pedra rasa – e ali o deixou sozinho, afastando-se rápido. O Diabo logo aparece e tenta carregar o moço. Foi quando lhe surge pela frente Santo Antônio que, riscando uma cruz na pedra – com um chicote, dizem algumas versões – valentemente acomete o Demo. Este, em pouco, vencido, some-se na escuridão da noite. Na superfície da pedra ficaram as marcas dessa luta: a cruz e as pegadas do santo e do Diabo, a deste bem maior.
Essa lenda do Pé do Diabo é uma das raras que ainda vivem na memória do povo capixaba. Talvez devido às marcas inapagáveis pelo tempo que, assim, cristalizaram também a lenda na tradição oral de nossa gente.
[Fontes: Folclore 87-88, 1971, e Vida Capichaba, maio de 1953]
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essas lendas capixabas são bem legais e interessantes de ouvir e ler.
ResponderExcluirnoooossa que popo
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